PINOCCHIO

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PINOCCHIO: Hoje acordei pensando no Pinocchio, não o clássico da literatura italiana de 1883 ou a versão comercial dos estúdios Disney de 1940,  pensava mesmo na versão tosca  da televisão japonesa exibida na década de 80 na Tevê Record. Confesso que de certa forma esta versão assombrava minha infância por conta de parte das aventuras serem,  na verdade desventuras de quem é obrigado a enfrentar o mundo real,  seus prazeres,  companhia e as vezes ser arrastado por um inimigo que o sequestra e explora.

Minhas memórias são esparsas,  não quis apelar para o youtube,  o que me lembro é que a Marionete criada pelo velho solitário Gepetto,  ganha uma existência animada e se reconhece como um ser mais tem noção que não é gente.  Ignorando os conselhos e julgando os limites do carinho de seu criador muito estreito sai em busca de um mundo maior,  encontra um gato e uma raposa,  seres astutos que lhe mostram o mundo e o exploram o quanto podem,  vendendo-o para um circo,  lá pelas tantas nosso herói é transformado em asno e nas suas aventuras, nas fugas e trajetos é inclusive engolido por um grande peixe.  Um grilo e uma fada falam consigo, mas tal qual o conselho do criador, suas vozes interiores também são muito chatas e estraga prazeres,  sendo também ignoradas. Nas dores e dissabores a vida lhe revelou realidades que ele passou a aprender e guardar a custa de muitas dores e prejuízos,  a maturidade elimina as cordas do boneco e,  como se trata de ficção,  mesmo em um dos episódios estando próximo da fogueira ele dá a volta por cima e a história,  como toda história de crianças que se prese, acaba com final feliz, o boneco vira gente.

Todos temos nossos dias de Pinocchio,  luzes cintilantes desviam nosso olhar e atalhos causam-nos a sensação que chegaremos mais rápido em um lugar bom, ofertas externas hipnotizam,  a vontade de viver sem limites as vezes cegam e os impulsos, que diferente dos sonhos são instantâneos, fazem do boneco um ser fácil de ser explorado. Renunciar os prazeres lúdico e as más companhias não é tarefa fácil para quem sabe que tem que ser humano mas está mergulhado e iludido em sua vida de boneco porque assim se confirmou.

Pinocchio me assombrava no episodio que o malvado vilão o comprava de seus amigos e o levava para uma vida de escravidão. Na infância tive medo de ser sequestrado e naquele tempo nem havia “mães da sé”.

Se a vida é feita de ciclos de morte e ressurreição,  se romper é inevitável que nossa sequencia não inclua sermos asnos ou ficarmos na barriga do tubarão.  Bom será enfrentar a senóide da vida com alegria e distração, mas sem perder o vinculo com o criador.  Que a voz interior,  por ecoar a voz do criador, não nos seja ignorada e que,  com a cabeça erguida e o coração aberto saibamos que existe um sistema a mexer as cordas das marionetes,  mas existe uma trajetória que nos leva a ser gente de verdade,  pois só os bonecos serão manipulados).

Não sei o que trouxe estas lembranças para mim,  o que sei é que na vida real,  infelizmente,  a história não acaba necessariamente com a frase “Viveram Felizes para Sempre”,  as escolhas individuais não conduzem inexoravelmente a um final feliz,  como madeira é combustível,  bonecos podem acabar no fogo,  infelizmente,  nem todo boneco vira gente.

Não quero ser o Grilo falante,  mas como esta história não é mentira devo urgentemente com você compartilhar.  Faça o trajeto, exponha-se a situações de amor e cuidado que façam você virar gente antes da história acabar.

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